quarta-feira, 7 de dezembro de 2016

MEDALHA COMEMORATIVA DOS 75 DA UMBANDA

Medalha cunhada por Pai Ronaldo Linares.

Este exemplar foi emprestado pelo irmão Edison Cardoso de Oliveira.

A Cabana de Pai Benguela está angariando fundos para cunharmos uma nova edição.


IV ENCINTRO "EXU O SENHOR DOS CAMINHOS" - 2016


Foto com os participantes.

O PRÓXIMO ENCONTRO ocorrerá em abril de 2017 e as pré-inscrições podem ser feitas na página da Cabana de Pai Benguela no facdbook

https://www.facebook.com/Cabanadepaibenguela


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EU E MEU PAI RONALDO LINARES - 2012


TIA EDITH E PAI JOÃO DE ANGOLA

Eu morava em Santana com minha família e desde cedo, mesmo sendo católica, a minha mãe me levava em centros espiritas, terreiros, cartomantes etc. Parece que eu saia do padrão estabelecido pelos ditames da igreja.
Ainda bem jovem conheci uma senhora baixinha e muito simpática: Tia Edith. Era assim que a chamávamos. Fomos criando admiração e amizade com ela. Era uma cartomante com índice “quase zero” de erros. Dava até medo ir lá para uma consulta.
Não gostava de atender homens. Como ia lá desde pequeno eu tinha a porta aberta. E quando a “coisa apertava” eu corria para lá.
Em 1979, misteriosamente, meu pai apareceu com o rosto todo deformado. Começou o “bate perna” nos consultórios médicos e nada era descoberto. La fui eu na Tia Edith. Nessa época eu era um espírita convicto e não queria nem ouvir falar de Umbanda, de terreiros e “dessas coisas”. Quando ela começou a consulta, imediatamente falou que meu pai tinha recebido um ponto de morte e que, se eu não fosse a um terreiro, ele morreria em sete dias. Fiquei assustado porque não queria ir a terreiros. Ela me disse que alguém ia me procurar e me levar.
No dia seguinte minha dentista, Dra. Elda, que era espírita, falou de um terreiro em Guarulhos. E lá fomos em uma tarde de terça feira. Um terreiro grande, de terra batida, com um grande canteiro externo repleto de ervas. Mas só tinha a Mãe de Santo. Não tinha outros médiuns. Segundo a dirigente ela trabalhava sozinha, pois tinha ficado cansada de médiuns sem vergonha.
Incorporou um Preto Velho, Pai João de Angola que disse: Tão querendo ti matá zinfio! ”Pediu ao filho da dirigente que pegasse picão preto no canteiro e fervesse. Nesse meio tempo fez descarrregos, rezou e benzeu meu pai diversas vezes. Com um galho de arruda foi lavando o rosto de meu pai. No final disse: “Em nove dias ele estará curado”. E assim aconteceu. Essa foi a minha porta de entrada para a Umbanda. No ano seguinte eu já girava no terreirinho do Senhor Ernesto Scazzioti.
No dia seguinte ao trabalho de Pai João para curar meu pai ele passou por uma junta de nove médicos no Hospital São Paulo e nenhum conseguiu um diagnóstico para a doença. Um deles, um velhinho simpático, coletou material e foi para o microscópio. Em dez minutos deu o diagnostico: fungo na raiz da barba. O segundo caso em cinquenta anos. Ele estava tomando nove antibióticos. Ficou só com um e em nove dias ficou curado como havia dito Pai João. Duas semanas após voltamos ao terreiro e Pai João disse que havia sido feito um trabalho para matá-lo, conforme havia dito Tia Edith. 
Nesse dia levei meu compadre Antônio dos Santos, na época com 25 anos e que se locomovia com o auxílio de uma bengala. Um trabalho feito por uma dessas mulheres vampiras que chamam os homens de canalhas e cretinos. Pai João mandou preparar uma papa com fubá e passou nas pernas dele. Alguns dias depois ele se locomovia normalmente.
O tempo passou e, sempre que eu precisava, ia na Tia Edith. Às vezes, no meio da consulta, ela passava mal e pedia para eu incorporar o Caboclo Sete Montanhas. Depois do passe a consulta continuava. Em 1989 um fato surreal ocorreu. Eu estava muito mal e Tia Edith falou: “Vou te levar em lugar muito bom no Jaçanã”. Em uma tarde fria fui com ela em um terreiro onde a Mãe de Santo dava consultas particulares. Incorporou a Pombagira, que colocou uma peruca horrível até o meio das costas, e começou a conversar comigo. A essa altura eu já estava duvidando de tudo aquilo. Achava que era um showzinho para me tirar dinheiro. Falei para Tia Edith: “Olha em que buraco você me trouxe”. E ela respondeu: “Confia Tino”.
A Pombagira disse: “Vai no botequim aí em frente e compra uma sidra e uma cerveja”. Comprei a sidra e uma cerveja Antarctica. Quando ela olhou para o material disse: “Isto é cerveja de puta pobre. Vai lá e troca por uma Brahma”. Desânimo total. Queria ir embora. Fui trocar a “puta” da cerveja. Ela sorveu deliciosamente o néctar espumante de puta rica e começou o trabalho. Colocou um pano no chão, tirou o arame da tampa da sidra e bateu com força no chão. Tomei um belo banho de sidra. E ela disse: “Agora vai ficar bem”.
Naquela noite, e nas seguintes, dormi como um anjo. Era o começo do meu processo contra o preconceito. Em 1996, Tia Edith foi para a Pátria Espiritual. Cumpriu sua tarefa com dignidade.

Saravá mãezinha querida!

No Terreiro de Pai João de Angola ouvi meu primeiro ponto de Umbanda:

Navio negreiro vem de alto mar
Correntes pesadas na areia
A negra escrava se põe a chorar
Saravá Mãe Yemanjá

Uma estrela brilhou aqui no congá
É o Pai João que vem saravá
É meu Pai João que vem trabalhar

Estrela Guia clareia o dia
Saravá o Pai João que vem de Aruanda
Pai João, a Umbanda lhe mandou chamar
Saravá o Pai João no congá de Oxalá






Tia Edith, a baixinha do lado esquerdo 

PAI ERNESTO SCAZIOTTI – UMBANDA COM HUMILDADE

Em 1980, ainda nos meus primeiros anos de magistério, trabalhava no conceituado Colégio XII de Outubro, no Alto da Boa Vista – Santo Amaro. Todos os dias quando eu chegava um inspetor de alunos, com quem eu não tinha intimidade, olhava para mim e abria um sorriso farto.
Depois de alguns meses, com o fato se repetindo, indaguei porque ele ficava rindo para mim quando eu chegava. Ele respondeu: “Não sorriso para você. E sim para o seu Caboclo, o Caboclo Sete Montanhas”. Fiquei estupefato, pois o meu único contato com a Umbanda até aquele instante foi no Terreiro de Pai João de Angola, já contado nesta obra.
Disse-me que aquela entidade sempre estava perto quando eu chegava à escola.
Falou que tinha um pequeno congá na sua casa e realizava sessões aos sábados à noite na casa de amiga. Convidou-me para conhecer e, em um sábado de fevereiro de 1980 lá cheguei, no Jardim São Luiz, em São Paulo. Conversei com Pai Benedito e foi o começo do meu desenvolvimento mediúnico. Ali fiquei um ano até que conheci o meu grande irmão Edison Cardoso de Oliveira e o Templo de Umbanda Ogum Beira Mar. Ali fiquei por dez anos.
Na mesma semana conheci Pai Ronaldo Linares e, em março de 1981, iniciei o Curso de Formação de Sacerdotes da Federação Umbandista do Grande ABC, Barco 12.
Pai Ernesto Antonio Scaziotti, desencarnou em maio de 2016, após uma vida profícua exercendo com maestria e humildade o sacerdócio de Umbanda.

Saravá Pai Ernesto!



sábado, 3 de dezembro de 2016

MÃE SIMA TCHALIAN – GUERREIRA DA UMBANDA


Algumas vezes quando o “bicho pegava” eu ia chorar no ombro dela. Quando eu fazia besteiras ela me dava “palmadas” como se faz com crianças mimadas.
Essa é a Mãe Sima Tchalian que retornou à Pátria Espiritual em 26 de abril de 2008. Eu nasci em 01 de abril de 1950. Em 01 de abril de 1980 foi fundado o Templo de Umbanda Nanã, Xangô e Caboclo Sete Léguas que ela dirigiu com tenacidade, nunca se furtando à prática honesta e eficiente da caridade.
As entidades que a assistiam são: Caboclo Sete Léguas, Cabocla Janaina, Vó Carmela, Zé Baiano, Chiquinho, Exu do Lodo e Pombagira Maria Mulambo.
Com certeza o trabalho da Guerreira continua do outro lado da vida.
Saravá Mãe Sima!
A Umbanda agradece pelo seu trabalho grandioso.
Na segunda foto, Mãe Sima batizando seu neto Renato Tchalian e na terceira Mãe Sima entre Mãe Zélia do Moraes e seu filho Yanouf Tchalian na Cabana de Pai Antonio.




io.